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8 de jun. de 2013

Bolsa família e salário mínimo fazem classe média crescer 16% em 11 anos

O contexto econômico mundial e seu impacto sobre o mercado de trabalho tem registrado evolução positiva nos países em desenvolvimento como o Brasil, constatou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) no relatório 'O Mundo do Trabalho 2013: Reparando o Tecido Econômico e Social', divulgado nesta segunda-feira (3).
Sobre o Brasil, um dos destaques da organização no relatório foi o crescimento de 16% da classe média entre 1999 e 2010. Segundo a OIT, isso ocorreu devido ao fortalecimento do salário mínimo e do Programa Bolsa Família. Essas duas políticas, para a organização, explicam a redução da pobreza no país e o fortalecimento da economia nacional. Como desafios, a OIT citou a redução dos postos informais de trabalho, o aumento da produtividade, o aumento dos investimentos e o crescimento dos salários acima da inflação.
Os países desenvolvidos, por outro lado, estão em uma situação que pode se tornar "preocupante", a despeito da recuperação econômica desde 2009, ano em que começou a crise financeira internacional. De acordo com o documento, na América Latina e no Caribe, registrou-se em 2012 taxa de emprego, em média, 1% superior à de 2008, ano anterior à crise. Na região, essa taxa atingiu 57,1% ao fim de 2012.
"Nos países em desenvolvimento, o desafio mais importante é consolidar os recentes progressos na redução da pobreza e da desigualdade", informou, em nota, o coordenador do relatório, o diretor do Instituto Internacional de Estudos de Trabalho da OIT, Raymond Torres. A organização citou o estabelecimento de um piso salarial – por meio da fixação de salários mínimos – e de políticas de proteção social como essenciais para a situação atual desses países.
Em relação aos países desenvolvidos, constatou-se que a desigualdade de renda da população aumentou nos últimos dois anos. A principal justificativa foi o crescimento dos níveis de desemprego no mundo. A expectativa é que os atuais 200 milhões de desempregados cheguem a 208 milhões em 2015. Na última semana, a União Europeia registrou 26,5 milhões de desempregados.
"A situação em alguns países europeus, em particular, está começando a forçar o seu tecido econômico e social. Precisamos de uma recuperação global, focada em empregos e investimentos produtivos, combinada com melhor proteção social para os grupos mais pobres e vulneráveis", disse, em nota, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.
Para a organização, outro fator que atrasa a recuperação da geração de empregos nos países desenvolvidos é a falta de investimentos possivelmente gerados a partir de lucros. No último fim de semana, houve manifestações em mais de 100 cidades europeias contra políticas de austeridade. Segundo a OIT, apenas um terço dos investimentos globais em 2012 foram feitos por países de alta renda. Os países emergentes, em comparação, foram os responsáveis por mais de 47% dos investimentos no mesmo ano.
"Há uma clara relação entre o investimento e o emprego. Melhorar a atividade de investimento é crucial para permitir que as empresas aproveitem as novas oportunidades para se expandir e contratar novos funcionários", explicou o coordenador do relatório, Raymond Torres.
Como forma de reduzir os impactos negativos da conjuntura de fraco desempenho econômico e escassez de postos de trabalho, a OIT sugere que sejam eliminadas as crenças negativas sobre as intervenções dos governos no crescimento econômico e a capacidade que elas têm de diminuir a má distribuição de renda entre a população. Outro ponto importante, de acordo com a organização, é o estímulo ao diálogo social entre empregados, empregadores e o governo para gerar melhorias no mercado de trabalho.

data: 03/06/2013

10 de mar. de 2013

Medida popular: Dilma anuncia desoneração da cesta básica


A presidenta Dilma Rousseff anunciou na última sexta-feira (8) a desoneração da cesta básica. Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV por ocasião do Dia Internacional da Mulher, Dilma afirmou que todos os produtos da cesta básica estarão livres do pagamento de impostos federais. A presidenta disse esperar que a medida estimule a agricultura, a indústria e o comércio e gere mais empregos.



“Com essa decisão, você, com a mesma renda que tem hoje, vai poder aumentar o consumo de alimentos e de produtos de limpeza, e ainda ter uma sobra de dinheiro para poupar ou aumentar o consumo de outros bens. Desde o mês passado você está pagando uma conta de luz mais barata. Agora, com mais essa redução de despesas, você vai poder equilibrar um pouquinho melhor o seu orçamento doméstico”.

A presidenta afirmou que o governo definiu um novo formato da cesta básica, que prioriza alimentos de mais qualidade nutritiva. Fazem parte dessa cesta carnes bovinas, suína, aves e peixes, arroz, feijão, ovo, leite integral, café, açúcar, farinhas, pão, óleo, manteiga, frutas, legumes, sabonete, papel higiênico e pasta de dentes. Dilma disse esperar que a desoneração contribua para a redução dos preços dos produtos da cesta básica.

“Conto com os empresários para que isso signifique uma redução de pelo menos 9,25% no preço das carnes, do café, da manteiga, do óleo de cozinha, e de 12,5% na pasta de dentes, nos sabonetes, só para citar alguns exemplos (…) Aproveito, agora, para mandar um recado muito particular para os nossos produtores e comerciantes, do campo e da cidade. Vocês vão logo perceber que essa medida trará uma forte redução nos seus custos, e isso vai dar margem para a expansão dos seus negócios”.



Fonte:http://www.vermelho.org.br/tvvermelho/noticia.php?id_noticia=207911&id_secao=146

1 de dez. de 2012

Dilma destina 100% dos royalties futuros para a educação

30 DE NOVEMBRO DE 2012 - 18H47 


A presidenta Dilma Rousseff vetou parcialmente o projeto de lei aprovado pelo Congresso que diminuía a parcela de royalties destinada aos estados e municípios produtores de petróleo. Ela também decidiu que 100% dos royalties provenientes dos contratos futuros de exploração de petróleo serão investidos em educação. Uma medida provisória com as mudanças será enviada ao Congresso na próxima semana. 


O anúncio foi feito nesta sexta-feira (30), durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, pelos ministros da Educação, Aloizio Mercadante; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; de Minas e Energia, Edison Lobão; e de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Mercadante explicou que, além de 100% dos royalties futuros, 50% dos rendimentos do Fundo Social também serão voltados para a educação. Segundo ele, o objetivo é deixar um legado para as gerações futuras.

“Só a educação vai fazer do Brasil uma nação desenvolvida, ela é o alicerce do desenvolvimento e se o pré-sal e petróleo são o passaporte para o futuro, não há futuro melhor do que investir na educação dos nossos filhos, dos nossos netos, do conjunto do povo brasileiro”, disse o ministro.

A ministra Gleisi Hoffmann explicou que os vetos preservam os contratos firmados e mantêm a atual distribuição dos recursos provenientes do petróleo. Segundo ela, os vetos tiveram como diretriz o respeito à Constituição e aos contratos estabelecidos.

“O veto ao artigo 3º resguarda exatamente os contratos estabelecidos e também tem o objetivo de fazer a readequação, ou seja, a correção da distribuição dos percentuais dos royalties ao longo do tempo (…) quanto às demais intervenções na lei, a presidenta procurou conservar em sua grande maioria as deliberações do Congresso Nacional, garantindo, contudo, a distribuição de recursos para a educação brasileira”, afirmou.

Fonte: Blog do Planalto


Publicado em http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=200211&id_secao=1

9 de mai. de 2012

A crise capitalista e suas repercussões políticas


(Publicado em http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=182489&id_secao=2 em 06.05.2012)


Esta é a segunda parte de artigo publicado no Portal Vermelho no domingo passado (29/04) com este mesmo título. Nele o autor argumentava sobre por que a crise financeira inaugurada em 2008 não é um fato isolado mas faz parte de um ciclo de transtornos desencadeados em 1973. Talvez um pouco antes.

Por Angel Guerra Cabrera


Neste ciclo se inscrevem a quebra do banco Leman Brothers e a da Islândia, detonadores da Grande Recessão da economia mundial, ainda não resolvida. O que há de novo dentro deste ciclo é o estouro das crises financeiras nos centros imperiais, sem falar deste doente crônico chamado Japão.

As crises anteriores de origem financeira dentro desta onda se manifestavam na periferia: dívida externa da América Latina (1982), México (1994-1995), “tigres” asiáticos (1997-1998), Rússia (1998), Brasil (1999), Turquia (2001) e Argentina (2002). Não é ocioso sublinhar que o capitalismo experimentou graves crises desde o século 19, embora a atual seja comparável apenas com a Grande Depressão de 1929 e ainda seja cedo para conhecer sua real magnitude.

Na ordem política, a Grande Recessão e as humilhantes derrotas militares dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão têm acelerado muito as mudanças na correlação mundial de forças que se vinha gestando há mais de duas décadas. Comprovamos isso ao comparar o estancamento estadunidense e eurocomunitário com o acelerado crescimento econômico dos países emergentes e, em todo caso, a menor vulnerabilidade dos que rechaçam ou não acatam o dogma neoliberal. Estes têm aumentado consideravelmente sua participação na economia e na política mundial em detrimento daqueles.

Embora os Estados Unidos continuem sendo a maior economia do planeta, existe grande distância da hegemonia unipolar que mantinha a posteriori da queda soviética para a multipolaridade atual, com a consolidação de novos centros de poder econômico, político e militar. Isto explica a crescente atenção que todos os analistas geopolíticos sérios dão aos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Basta observar sua extensão territorial, população, taxa de crescimento de suas economias, de educação de seus jovens e o fato de que três deles possuem respeitáveis arsenais nucleares. A China já é a segunda economia mundial e o arsenal nuclear da Rússia é comparável ao dos Estados Unidos.

A partir de 2008 se acentuam e se tornam mais visíveis as discrepâncias dos Brics com Washington em numerosos temas econômicos e políticos. O caso mais notório é o da Siria, sobretudo quando a Rússia e a China, dão um enérgico alto lá à agressividade dos EUA e da Otan, impedindo ou dificultando muito o plano de aplicar à Síria o modelo “libio”. 

Outro exemplo é a gravíssima ameaça de guerra criada desnecesariamente por Washington e Tel Aviv contra o Irã. Se essa ameaça chegou a desmantelar-se mediante uma saída política muito provavelmente ísto se deve à razoável proposta brasileiro-turco-iraniana contida na Declaração de Teerã. Patrocinada pelos Brics, foi ganhando consenso internacional. Os Brics, convém não sublimá-los, também apresentam sérios problemas que devem resolver para manter sua posição.

Os Estados Unidos resistirão por todos os meios a aceitar a diminuição de sua tirania sobre o mundo. A pesar de seus gigantescos e ultramodernos arsenais, vê-se frequentemente levado à condição de ser um entre outros interlocutores importantes e em algunas ocasiões a ser prescindido na tomada de decisão sobre certas questões estratégicas internacionais, como é o crescente intercâmbio comercial dos Brics entre si e destes com o Irã e outros países em suas moedas nacionais, prescindindo do dólar.

Quando em matéria de lutas sociais parecia não mover-se uma folha no planeta, começou a vislumbrar-se uma luz no fim do túnel na América Latina e Caribe em meados dos anos 1990 com o vigoroso ressurgimiento dos movimentos populares do Rio Bravo à Patagônia. Os movimentos entronizaram governos contrários ao dogma neoliberal na Venezuela, no Brasil, na Argentina, Bolivia, Equador, Uruguai, Paraguai, Nicarágua e algumas pequenas ilhas do Caribe anglófono que, cada um com suas características, põem ênfase na expansão do mercado interno, na atenção aos problemas sociais e na unidade e integração regional.

Ferozmente bloqueada, Cuba, com suas brilhantes conquistas sociais e trasformações em curso, continua sendo uma referência mundial. Se se tratasse somente da América Latina, poderíamos quase assegurar que a crise sairá pela esquerda, mas não é necesariamente assim no resto do mundo. Falaremos disso em outro artigo.

Fonte: La Jornada