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26 de out. de 2019

Vereadores presos são suspensos das atividades na Câmara de Uberlândia

Presidente da Casa confirmou medida ao Diário; Wilson Pinheiro teve prisão convertida em domiciliar na noite desta sexta (25)


WALACE TORRES
Alexandre Nogueira (PSD) está entre alvos e é apontado pelo Gaeco como líder da organização criminosa | Foto: CMU/Divulgação

Os três vereadores que tiveram as prisões decretadas nesta sexta-feira (25) durante a operação “O Poderoso Chefão” estão com as atividades parlamentares suspensas. A informação foi confirmada pelo presidente da casa, Hélio Ferraz – Baiano (PSDB). 

“Estamos cumprindo o artigo 52 do Regimento Interno, que diz sobre suspensão automática das atividades”, disse Baiano, ressaltando que a partir da prisão os vereadores também ficam com salários suspensos.

No caso de Juliano Modesto (SD), a interrupção dos rendimentos vale desde o dia 15, quando ele se apresentou ao Ministério Público. Segundo o presidente da Câmara, somente após 30 dias de afastamento é que se abre o processo de vacância do cargo, visando a convocação de suplentes. Até lá, a Câmara irá atuar com 24 vereadores. “O processo de perda de mandato só será aberto se tiver decisão judicial definitiva”, disse.

O anúncio de suspensão das atividades dos três vereadores aponta uma mudança de postura da mesa diretora que, até a semana passada, alegava uma falha no Regimento Interno para evitar tomar alguma decisão imediata. A falta de ação chegou a motivar o Ministério Público a cobrar informações à Câmara sobre os procedimentos a serem tomados pelo Legislativo.

 

Após as novas prisões, um grupo de vereadores que integram o bloco parlamentar denominado “Muda Uberlândia” também encaminhou um ofício ao presidente da Câmara solicitando esclarecimentos a respeito das medidas que serão adotadas pela mesa diretora envolvendo os três vereadores presos. 

O documento foi assinado pelos vereadores Adriano Zago (MDB), Dra. Jussara Matsuda (PSB), Felipe Felps (PSB), Michele Bretas (Avante), Silésio Miranda (PT) e Thiago Fernandes (PRP).

Antes da operação, o grupo já havia se reunido com o presidente cobrando um posicionamento em relação ao vereador Juliano Modesto. No entanto, somente após a prisão de mais dois vereadores, é que o presidente da Câmara se manifestou acerca da licença automática dos parlamentares envolvidos.

“É uma situação em que o interesse público deve prevalecer. Cumpre-nos ressaltar que os parlamentares detidos estão impossibilitados de exercerem suas funções legislativas e, pelo princípio da eficiência e do uso racional dos recursos públicos, ao meu ver, é a medida que se impõe, pois atende o interesse público e pode ser revertida a qualquer momento, em eventual retorno do parlamentar a liberdade”, entende o vereador Adriano Zago.

 

PRISÕES
Foram presos durante a operação do 
Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) os vereadores Wilson Pinheiro (PP) e Alexandre Nogueira (PSD). Juliano Modesto (SD) teve outro mandado de prisão preventiva decretada na ação e permanece no presidío Professor Jacy de Assis. Nogueira também foi conduzido ao presídio.

Ainda nesta sexta, a defesa de Pinheiro entrou com um pedido de revogação da prisão dele em virtude do quadro de saúde, já que ele está se recuperando de cirurgia. O pedido teve concordância do Ministério Público mediante comprovação de documentos que atestaram o estado do vereador. 

Com isso, a Justiça de Uberlândia convertou a prisão preventiva em regime fechado para prisão domiciliar. Foram impostas medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica e suspensão imediata do mandato. 

Líder do prefeito na Câmara, Wilson é suspeito de favorecer contratação ilegal de escritório de advocacia na CPI das Vans | Foto: CMU/Divulgação

PREFEITO
O Diário procurou o prefeito Odelmo Leão (PP) para se manifestar em relação à prisão do vereador, e líder do prefeito na Câmara, Wilson Pinheiro. Por meio da assessoria de comunicação, ele enviou nota na tarde desta sexta em defesa do político. Confira a íntegra abaixo: 
 
“O vereador Wilson Pinheiro é uma das pessoas mais sérias que já conheci durante todos esses anos em que estou na vida pública. Um homem íntegro, correto e honesto, que nunca pediu favorecimento algum e que merece todo o respeito da minha parte. Portanto, não pretendo afastá-lo da função de líder do governo municipal na Câmara de Vereadores. 

Ele terá todo o meu apoio. Pinheiro, vale lembrar, foi justamente o presidente da CPI da Câmara que investigou, durante a gestão municipal anterior, fraudes no contrato de uma cooperativa junto ao Município. 

Aliás, nos estranha que a operação atual não contemple gestores do Executivo que participaram e liberaram pagamentos a cooperativas naquela ocasião. Dito isto, ressalto que, quando assumi novamente a Prefeitura em 2017, diante das dívidas que herdei, apenas dei continuidade ao contrato com a cooperativa de transporte que já fornecia o serviço para que os alunos e a população não fossem prejudicados no momento. Logicamente, exigimos a utilização do GPS das vans à época. 

Depois, a partir de uma recomendação do Ministério Público Estadual, iniciamos um processo de contratação individual de motoristas vanzeiros, modalidade que está e permanecerá em vigor no nosso mandato”.


Durante coletiva na sede do Ministério Público Estadual (MPE), o Diário questionou os promotores do Gaeco sobre as suspeitas no esquema fraudulento recaírem também sobre servidores municipais e representantes do Executivo, à época dos fatos. O promotor de Justiça Daniel Marotta Martinez respondeu que as investigações ainda serão aprofundadas nesse sentido. 
 

19 de mar. de 2018

40 mil servidores estão sem a assistência do Ipsemg

Funcionários não têm hospital para os casos de urgência e emergência


WALACE TORRES | EDITOR
Servidores fizeram protesto na porta do Ipsemg e levaram enxada para capinar o mato alto | Foto: Walace Torres

Os servidores da rede estadual de ensino em Uberlândia fizeram um novo protesto, ontem, na porta da sede do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) por causa da falta de assistência na área da saúde. A categoria afirma que vem enfrentando dificuldades há pelo menos três anos para receber atendimento, sem um hospital de referência para os casos de urgência e emergência. Ainda de acordo com os servidores, a situação teria se agravado na última semana com a suspensão das cirurgias eletivas que eram realizadas mediante contrato com o Uberlândia Medical Center (UMC). Segundo os servidores, a suspensão se deve à falta de repasses de verbas pelo Estado para cobrir os custos do contrato.

“A situação piorou. Ao contrário das nossas cotas e exames, que estão suspensos, o desconto no nosso contracheque continua”, disse Elaine Cristina, presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) em Uberlândia. Cada servidor tem descontados 3,5% dos rendimentos mensais para cobrir o plano de saúde, que na prática não tem oferecido o suporte necessário.

Elaine aponta que há um compromisso firmado há cinco anos pelo Governo do Estado com o sindicato para que fosse construído ou implantado o hospital do Ipsemg, que serviria de referência para todos os servidores e dependentes de Uberlândia. “Tem uma liminar que deu prazo de três anos para a construção do hospital. Esse prazo vence agora em abril e nós vamos executar essa liminar no Ministério Público”, disse, se referindo à cobrança que será feita para que o acordo seja cumprido.

São mais de 40 mil servidores, entre ativos e inativos, além de dependentes que contribuem com o Ipsemg em Uberlândia para receber assistência médica. Hoje, quem depende do pano na cidade precisa se deslocar até Araguari ou Uberaba para conseguir um atendimento especializado.

Sem condições para arcar com um atendimento privado, a maioria tem procurado a rede municipal de saúde, que também enfrenta problemas de falta de médicos e profissionais de saúde e longas filas de espera.  “Nós estamos engrossando as filas de espera das UAIs, precarizando mais o serviço público municipal”, cita Elaine.

A servidora aposentada Neusa Chagas, de 68 anos, aguarda há três anos por um cirurgia para retirar um cisto na mão direita. Ela já perdeu parte da mobilidade da mão, além de sentir dores. “Como é um caso que precisa ser resolvido com urgência, (...) ou a gente paga para fazer ou fica à mercê de uma vaga na Medicina (Hospital de Clínicas da UFU) ou no Hospital Municipal que estão saturados”, completa a aposentada, que também integra uma comissão de negociação no sindicato. Ela conta que chegou a ir a Ituiutaba, durante a vinda do governador Fernando Pimentel, e lhe entregou uma carta em mãos cobrando a retomada dos atendimentos em Uberlândia. “Ninguém quer nada de graça do governo. Tem uma coisa na Constituição que chama direitos e deveres. Eu cumpro a minha obrigação e pago o Ipsemg, e ele não cumpre a obrigação dele (...). Eu paguei 40 anos de minha vida e mereço respeito”.

A professora Maria das Graças Marçal faz acompanhamento médico e, neste mês, teve que pagar consulta para conseguir ser atendida. “O governo não paga (os prestadores de serviço) e a médica disse que faria uma consulta social no valor de R$ 100”, disse. “A gente então paga duas vezes”, frisou, se referindo à cobrança no contracheque.
 
CAPINA 

A manifestação em frente à sede do Ipsemg em Uberlândia fez parte da programação do movimento grevista, que teve início no dia 8 e deve seguir pelo menos até a próxima semana, quando a categoria tentará um novo posicionamento do governo a respeito do pagamento do piso nacional. Os servidores cobram um reajuste de 14,7% referentes aos ajustes que deveriam ser feitos em 2017 e 2018.

Durante a manifestação de ontem, alguns servidores levaram enxadas e fizeram a capina do mato dentro da área do Ipsemg regional, que alcançava um metro de altura.
 
IPSEMG 

O Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) informou que os atendimentos no Uberlândia Medical Center Institucional (UMC) não foram suspensos. A reportagem entrou em contato com a unidade, mas não obteve retorno.

Nos casos de suspensão de atendimento por atraso no pagamento da rede credenciada, o Ipsemg esclareceu que mantém o diálogo com as instituições em busca de proposta para a continuidade dos atendimentos e que já iniciou os pagamentos aos prestadores de serviços de saúde desde o primeiro dia útil de março, visando equacionar os débitos de novembro. Ainda segundo o Instituto, o atraso se deve “ao bloqueio da União, que atrasou o repasse de recursos ao Governo de Minas Gerais, conforme amplamente noticiado”.


Fonte:http://diariodeuberlandia.com.br/noticia/16069/40-mil-servidores-estao-sem-a-assistencia-do-ipsemg